Sabe-se pelos livros de história que os primeiros
homens primitivos a habitarem a terra, os hominídeos, já se utilizavam de objetos
que retiravam da natureza como algum tipo de ferramenta no entanto, não costumavam
buscar modificá-los para melhor adaptar estas ferramentas às suas necessidades.
A capacidade do homem de pensar de forma tecnológica já se fazia presente porém
a engenhosidade e busca pela adaptação e transformação ainda era de fato primitiva. Mais
adiante, cerca de dois milhões de anos o Australopitecus,
que passava a se alimentar de carne, de acordo com evidências descobertas por
historiadores, obrigava-se a desenvolver ferramentas adaptadas que lhe
permitissem, tanto manter seus hábitos alimentares através da caça, quanto
defender seu território. Por esta diferenciação, o hominídeo que passou
utilizar seu intelecto de forma mais engenhosa no intuito de defender seus
hábitos alimentares, firma um marco histórico de evolução desenvolvendo seu
potencial para criar armas e ferramentas. Este marco, segundo os historiadores,
revela o início da caminhada do homem rumo ao progresso e evolução científica e
tecnológica. Começaram pela utilização do osso, até descobrirem que batendo
pedras umas nas outras criava-se lascas que poderiam ser utilizadas como
ferramentas de corte. Tudo era feito de forma bastante rústica e, em um
primeiro momento ao acaso, mas acabavam se tornando descobertas que mostravam o
potencial criativo e inovador do homem e suas técnicas que já podia se chamar de práticas tecnológicas.
Cerca de um milhão de anos se passaram sem muita mudanças nessas técnicas,
apenas aprimoramento utilizando métodos de afiação, ou para amolar e transformar
equipamento feitos com pedras, em ferramentas cada vez mais úteis às suas necessidades
diárias. Neste ponto é possível identificar nossos primeiros antepassados
“engenheiros” que exploravam seu potencial criador e transformador como um
diferencial em relação aos seus semelhantes. Adaptando estas pedras lascadas à
cabos de madeira, aperfeiçoaram-se as armas de caça e defesa (registros históricos
datados de 4.000 anos a.c.), mostrando que a busca pela inovação e
aperfeiçoamento das técnicas era constante e necessária para a sobrevivência
do ser humano no seu tempo.
Ferramentas em pedra e osso.
Neste meio tempo de evolução, não podemos deixar de
citar a construção das pirâmides do Egito que ocorreram por volta de 2.700 a.c.
e não deixam de ser um feito histórico de engenharia e construção. O estudo
para a construção destes monumentos históricos da humanidade, envolvem
questionamentos de logística que intrigam e contrapõem diferentes teorias entre
os estudiosos e historiadores até hoje. Alguns defendem que os Egípcios
dominavam as técnicas de extração e transporte de grandes blocos de pedra que
usaram para as construções que podiam chegar a pesar até 300 toneladas; outros
defende a ideia de que estes povos utilizavam processos químicos para a
constituição destes bloco em loco (processos de geopolimerização), agregando
componentes como o cal, salitre e areia para formar um composto rígido no
formato de blocos nas dimensões necessárias às construções. De qualquer forma,
o que é incontestável em relação à grandiosidade destes monumentos é a
utilização de conhecimentos e estudos aplicados de geometria e trigonometria,
baseando-se inclusive nas posições em relação aos astros celestiais o que
transcende os conhecimentos comuns dos povos daquela época e torna ainda maior
o mistério relacionado à construção destas obras. Pode-se observar inclusive
que os ângulos de inclinação dos lados das pirâmides direcionam cada lado
perfeitamente na direção dos pontos cardeais. Estes conceitos e estudo
utilizados nestas construções, hoje ficariam a cargo de engenheiros, geólogos,
químicos, arquitetos e projetistas e, portanto, não podemos deixar de citar
aqui o povo Egípcio antigo como pioneiros no estudo e aplicação destas ciências
exatas.
Cerca de 1.400 a.c., outro marco
histórico identificado pelos historiadores é a metalurgia e aperfeiçoamento das
técnicas de trabalho com o ferro e outros metais. Descoberta pelas civilizações
do Mediterrâneo Oriental e Ásia Ocidental e mais tarde levada para Europa, o uso dos metais, levou ao surgimento e aperfeiçoamento de ferramentas modernas e também à produção de armas de
guerra que dariam um novo rumo à história da sociedade. Mas pode-se identificar um verdadeiro antecessor das práticas modernas de engenharia na Era Medieval onde surgiam
os ferreiros, artesãos, carpinteiros e construtores que desenvolviam
ferramentas e técnicas úteis para seu desenvolvimento laboral. Os chamados “construtores
de moinhos” que juntavam diversos ofícios e práticas criando e manejando
ferramentas como a plaina, fresa, equipamentos para furar e tornear. Era necessário conhecer e dominar técnicas de aritmética, geometria e agrimensura que
lhes permitissem criar e construir além de aprimorar ferramentas e máquinas que facilitassem os seus projetos, criações e construções. Era preciso também saber calcular, desenhar
plantas que lhe servissem de referência às suas obras (casas, máquinas,
barragens, equipamentos para agricultura, armas de caça ou militares e etc.). Este tipo de
conhecimento era adquirido com a prática e passados de pai para filho.
Geralmente estes artesãos dominavam múltiplas habilidades técnicas que lhe
permitiam fazer todo o serviço de fabricação ou melhoria em equipamentos,
máquinas e na construção.
Projeto de Leonardo da Vinci de uma besta medieval.
Por volta do século XVI, com o surgimento da
chamada ciência moderna, passou-se a encarar a tecnologia como um estudo e um
aperfeiçoamento dos métodos e técnicas, mudando a maneira de pensar nas
ciências exatas. Buscando melhorias práticas e solução dos problemas cotidianos
de fabricação de forma a melhorar a qualidade e rapidez dos processos de
fabricação o mundo foi se tornando cada vez mais moderno, explorador e
transformador. E a velocidade das transformações cada vez aumentavam mais. Na
Idade Moderna, por volta do século XV, com a explosão industrial impulsionado pela
construção naval, armamentista e de transporte terrestre desenvolveu-se
equipamentos como a prensa hidráulica e outras ferramentas que tornaram os
processos de fabricação mais sistematizados, passando a ser operados não mais
apenas por artesãos mas também por operadores comuns de forma a aumentar a
capacidade de produção destes ramos da indústria. Passa a se desenhar um perfil
de evolução tecnológica mais voltado para as necessidades da sociedade e não
mais apenas para fins particulares.
O estudo e a estruturação de fato da ciência da
Engenharia passou e se estabelecer mesmo na Europa durante os séculos XVI e
XVII atendendo às demandas de segurança e fabricação militar. O desenvolvimento
de novas armas, a aplicação de novas tecnologias fortificava o poderio de cada
nação, agregando força às suas capacidades militares. Neste contexto o
investimento na aplicação das ciências exatas e engenharia era bem justificado
e tomava força a cada necessidade militar dos países e continente. Porém, ainda não se diferenciavam os técnicos, construtores, ferreiros e mecânicos dos arquitetos e
engenheiros propriamente ditos pois, este grupo de criação e desenvolvimento
exerciam basicamente a mesma função no projeto e fabricação de máquinas e
equipamentos (especialmente para a indústria militar). Esta diferenciação surgiu apenas no século seguinte
(XVIII), mais conhecido como “Século das Luzes”, onde as ideias Iluministas
tomavam conta especialmente da Europa, fortalecidas pelo advento do poder em
mãos da burguesia durante a Revolução Francesa. Neste período, surgiam as primeiras Escolas de
Engenharia, difundindo a pesquisa científica e acadêmica, se desligando aos
poucos dos tradicionais estudos puramente práticos e somente ligados à economia
e à indústria.
Historicamente, registra-se que a primeira escola
dedicada à engenharia e arquitetura foi desenvolvida em Veneza no ano de 1506.
Porém ainda se tratava de formação voltada ao desenvolvimento técnico dos
chamados “artesãos” e com uma visão bastante prática das aplicações de
engenharia. A primeira escola de engenharia, que de fato seguia os preceitos modernos
das concepções de estudo da ciência exata da engenharia, baseando-se tanto na
teoria quando na prática para a formação acadêmica, foi fundada em 1747 na
França, a École des Ponts et Chaussées ou (Escola Nacional de Pontes e Estradas).
Mas como o nome já dizia, esta escola era ainda bastante específica e
direcionada para a construção civil de pontes e estrada, tema bastante
necessário à expansão e modernização das construções modernas e, portanto, de
largo interesse do Estado. Mas representa um marco histórico no surgimento dos estudos modernos da Engenharia atual.
Da mesma forma pode-se fazer referência à École des Mines (Escola Nacional Superior de Minas), que surgia em Paris em 1783 e direcionada ao tema específico da mineração e também com um interesse econômico especial do Estado. Um pouco mais tarde, em 1795, os franceses Gaspard Monge e Antoine François Fourcroy, fundaram a École Polytechnique (Escola Politécnica), que foi responsável por organizar e padronizar o curso de engenharia em uma formação de 3 anos ministrada por professores qualificados e especializados, partindo das fundamentações teóricas às práticas que até hoje direcionam os cursos de engenharia em todo o mundo.
École des Ponts et Chaussées ou (Escola Nacional de Pontes e Estradas)
Da mesma forma pode-se fazer referência à École des Mines (Escola Nacional Superior de Minas), que surgia em Paris em 1783 e direcionada ao tema específico da mineração e também com um interesse econômico especial do Estado. Um pouco mais tarde, em 1795, os franceses Gaspard Monge e Antoine François Fourcroy, fundaram a École Polytechnique (Escola Politécnica), que foi responsável por organizar e padronizar o curso de engenharia em uma formação de 3 anos ministrada por professores qualificados e especializados, partindo das fundamentações teóricas às práticas que até hoje direcionam os cursos de engenharia em todo o mundo.
No Brasil por sua vez o estudo formal da Engenharia
“nasceu” em 17 de dezembro de 1792 com a fundação da Real Academia de
Artilharia, Fortificação e Desenho, no Rio de Janeiro, sendo inclusive a
primeira deste ramo no continente americano. Esta escola, fundada pelo Príncipe
Regente português D. João, espelhava-se na Real Academia de Artilharia,
Fortificação e Desenho portuguesa e tinha sua fundamentação baseada nos
preceitos da École Polytechnique de Paris. Também conhecida como École
Polytechnique do Rio de Janeiro (Escola Politécnica do Rio de Janeiro),
mais tarde passou e se chamar Escola Nacional de Engenharia (1937) e finalmente
Escola de Engenharia passando a se integrar à atual Universidade Federal do Rio
de Janeiro mas também fazendo parte das origens do Instituto Militar de
Engenharia (IME).
Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho do Rio de Janeiro
Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho do Rio de Janeiro
Hoje as faculdades e o ensino da engenharia
visam as inovações tecnológicas acompanhando a evolução dos métodos e técnica,
a automação, a robótica e a informática e espalham-se por todo o mundo e todo o
Brasil, formando profissionais inovadores, criadores, inventivos, idealistas,
marcas registradas que sempre fizeram parte da história mas que permanecem como marcas registradas no currículo desta profissão.




