sábado, 20 de julho de 2019

A HISTÓRIA DA ENGENHARIA


Sabe-se pelos livros de história que os primeiros homens primitivos a habitarem a terra, os hominídeos, já se utilizavam de objetos que retiravam da natureza como algum tipo de ferramenta no entanto, não costumavam buscar modificá-los para melhor adaptar estas ferramentas às suas necessidades. A capacidade do homem de pensar de forma tecnológica já se fazia presente porém a engenhosidade e busca pela adaptação e transformação ainda era de fato primitiva. Mais adiante, cerca de dois milhões de anos o Australopitecus, que passava a se alimentar de carne, de acordo com evidências descobertas por historiadores, obrigava-se a desenvolver ferramentas adaptadas que lhe permitissem, tanto manter seus hábitos alimentares através da caça, quanto defender seu território. Por esta diferenciação, o hominídeo que passou utilizar seu intelecto de forma mais engenhosa no intuito de defender seus hábitos alimentares, firma um marco histórico de evolução desenvolvendo seu potencial para criar armas e ferramentas. Este marco, segundo os historiadores, revela o início da caminhada do homem rumo ao progresso e evolução científica e tecnológica. Começaram pela utilização do osso, até descobrirem que batendo pedras umas nas outras criava-se lascas que poderiam ser utilizadas como ferramentas de corte. Tudo era feito de forma bastante rústica e, em um primeiro momento ao acaso, mas acabavam se tornando descobertas que mostravam o potencial criativo e inovador do homem e suas técnicas que já podia se chamar de práticas tecnológicas. Cerca de um milhão de anos se passaram sem muita mudanças nessas técnicas, apenas aprimoramento utilizando métodos de afiação, ou para amolar e transformar equipamento feitos com pedras, em ferramentas cada vez mais úteis às suas necessidades diárias. Neste ponto é possível identificar nossos primeiros antepassados “engenheiros” que exploravam seu potencial criador e transformador como um diferencial em relação aos seus semelhantes. Adaptando estas pedras lascadas à cabos de madeira, aperfeiçoaram-se as armas de caça e defesa (registros históricos datados de 4.000 anos a.c.), mostrando que a busca pela inovação e aperfeiçoamento das técnicas era constante e necessária para a sobrevivência do ser humano no seu tempo.

                                                       Ferramentas em pedra e osso.

Neste meio tempo de evolução, não podemos deixar de citar a construção das pirâmides do Egito que ocorreram por volta de 2.700 a.c. e não deixam de ser um feito histórico de engenharia e construção. O estudo para a construção destes monumentos históricos da humanidade, envolvem questionamentos de logística que intrigam e contrapõem diferentes teorias entre os estudiosos e historiadores até hoje. Alguns defendem que os Egípcios dominavam as técnicas de extração e transporte de grandes blocos de pedra que usaram para as construções que podiam chegar a pesar até 300 toneladas; outros defende a ideia de que estes povos utilizavam processos químicos para a constituição destes bloco em loco (processos de geopolimerização), agregando componentes como o cal, salitre e areia para formar um composto rígido no formato de blocos nas dimensões necessárias às construções. De qualquer forma, o que é incontestável em relação à grandiosidade destes monumentos é a utilização de conhecimentos e estudos aplicados de geometria e trigonometria, baseando-se inclusive nas posições em relação aos astros celestiais o que transcende os conhecimentos comuns dos povos daquela época e torna ainda maior o mistério relacionado à construção destas obras. Pode-se observar inclusive que os ângulos de inclinação dos lados das pirâmides direcionam cada lado perfeitamente na direção dos pontos cardeais. Estes conceitos e estudo utilizados nestas construções, hoje ficariam a cargo de engenheiros, geólogos, químicos, arquitetos e projetistas e, portanto, não podemos deixar de citar aqui o povo Egípcio antigo como pioneiros no estudo e aplicação destas ciências exatas.


Cerca de 1.400 a.c., outro marco histórico identificado pelos historiadores é a metalurgia e aperfeiçoamento das técnicas de trabalho com o ferro e outros metais. Descoberta pelas civilizações do Mediterrâneo Oriental e Ásia Ocidental e mais tarde levada para Europa, o uso dos metais, levou ao surgimento e aperfeiçoamento de ferramentas modernas e também à produção de armas de guerra que dariam um novo rumo à história da sociedade. Mas pode-se identificar um verdadeiro antecessor das práticas modernas de engenharia na Era Medieval onde surgiam os ferreiros, artesãos, carpinteiros e construtores que desenvolviam ferramentas e técnicas úteis para seu desenvolvimento laboral. Os chamados “construtores de moinhos” que juntavam diversos ofícios e práticas criando e manejando ferramentas como a plaina, fresa, equipamentos para furar e tornear. Era necessário conhecer e dominar técnicas de aritmética, geometria e agrimensura que lhes permitissem criar e construir além de aprimorar ferramentas e máquinas que facilitassem os seus projetos, criações e construções. Era preciso também saber calcular, desenhar plantas que lhe servissem de referência às suas obras (casas, máquinas, barragens, equipamentos para agricultura, armas de caça ou militares e etc.). Este tipo de conhecimento era adquirido com a prática e passados de pai para filho. Geralmente estes artesãos dominavam múltiplas habilidades técnicas que lhe permitiam fazer todo o serviço de fabricação ou melhoria em equipamentos, máquinas e na construção.


                                Projeto de Leonardo da Vinci de uma besta medieval.

Por volta do século XVI, com o surgimento da chamada ciência moderna, passou-se a encarar a tecnologia como um estudo e um aperfeiçoamento dos métodos e técnicas, mudando a maneira de pensar nas ciências exatas. Buscando melhorias práticas e solução dos problemas cotidianos de fabricação de forma a melhorar a qualidade e rapidez dos processos de fabricação o mundo foi se tornando cada vez mais moderno, explorador e transformador. E a velocidade das transformações cada vez aumentavam mais. Na Idade Moderna, por volta do século XV, com a explosão industrial impulsionado pela construção naval, armamentista e de transporte terrestre desenvolveu-se equipamentos como a prensa hidráulica e outras ferramentas que tornaram os processos de fabricação mais sistematizados, passando a ser operados não mais apenas por artesãos mas também por operadores comuns de forma a aumentar a capacidade de produção destes ramos da indústria. Passa a se desenhar um perfil de evolução tecnológica mais voltado para as necessidades da sociedade e não mais apenas para fins particulares.
O estudo e a estruturação de fato da ciência da Engenharia passou e se estabelecer mesmo na Europa durante os séculos XVI e XVII atendendo às demandas de segurança e fabricação militar. O desenvolvimento de novas armas, a aplicação de novas tecnologias fortificava o poderio de cada nação, agregando força às suas capacidades militares. Neste contexto o investimento na aplicação das ciências exatas e engenharia era bem justificado e tomava força a cada necessidade militar dos países e continente. Porém, ainda não se diferenciavam os técnicos, construtores, ferreiros e mecânicos dos arquitetos e engenheiros propriamente ditos pois, este grupo de criação e desenvolvimento exerciam basicamente a mesma função no projeto e fabricação de máquinas e equipamentos (especialmente para a indústria militar). Esta diferenciação surgiu apenas no século seguinte (XVIII), mais conhecido como “Século das Luzes”, onde as ideias Iluministas tomavam conta especialmente da Europa, fortalecidas pelo advento do poder em mãos da burguesia durante a Revolução Francesa. Neste período, surgiam as primeiras Escolas de Engenharia, difundindo a pesquisa científica e acadêmica, se desligando aos poucos dos tradicionais estudos puramente práticos e somente ligados à economia e à indústria.
Historicamente, registra-se que a primeira escola dedicada à engenharia e arquitetura foi desenvolvida em Veneza no ano de 1506. Porém ainda se tratava de formação voltada ao desenvolvimento técnico dos chamados “artesãos” e com uma visão bastante prática das aplicações de engenharia. A primeira escola de engenharia, que de fato seguia os preceitos modernos das concepções de estudo da ciência exata da engenharia, baseando-se tanto na teoria quando na prática para a formação acadêmica, foi fundada em 1747 na França, a École des Ponts et Chaussées ou (Escola Nacional de Pontes e Estradas). Mas como o nome já dizia, esta escola era ainda bastante específica e direcionada para a construção civil de pontes e estrada, tema bastante necessário à expansão e modernização das construções modernas e, portanto, de largo interesse do Estado. Mas representa um marco histórico no surgimento dos estudos modernos da Engenharia atual.

École des Ponts et Chaussées ou (Escola Nacional de Pontes e Estradas)

 Da mesma forma pode-se fazer referência à École des Mines (Escola Nacional Superior de Minas), que surgia em Paris em 1783 e direcionada ao tema específico da mineração e também com um interesse econômico especial do Estado. Um pouco mais tarde, em 1795, os franceses Gaspard Monge e Antoine François Fourcroy, fundaram a École Polytechnique (Escola Politécnica), que foi responsável por organizar e padronizar o curso de engenharia em uma formação de 3 anos ministrada por professores qualificados e especializados, partindo das fundamentações teóricas às práticas que até hoje direcionam os cursos de engenharia em todo o mundo.
No Brasil por sua vez o estudo formal da Engenharia “nasceu” em 17 de dezembro de 1792 com a fundação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, no Rio de Janeiro, sendo inclusive a primeira deste ramo no continente americano. Esta escola, fundada pelo Príncipe Regente português D. João, espelhava-se na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho portuguesa e tinha sua fundamentação baseada nos preceitos da École Polytechnique de Paris. Também conhecida como École Polytechnique do Rio de Janeiro (Escola Politécnica do Rio de Janeiro), mais tarde passou e se chamar Escola Nacional de Engenharia (1937) e finalmente Escola de Engenharia passando a se integrar à atual Universidade Federal do Rio de Janeiro mas também fazendo parte das origens do Instituto Militar de Engenharia (IME).

                                Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho do Rio de Janeiro

        Hoje as faculdades e o ensino da engenharia visam as inovações tecnológicas acompanhando a evolução dos métodos e técnica, a automação, a robótica e a informática e espalham-se por todo o mundo e todo o Brasil, formando profissionais inovadores, criadores, inventivos, idealistas, marcas registradas que sempre fizeram parte da história mas que permanecem como marcas registradas no currículo desta profissão.

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